Segmenta da madeira em expansão
 

 

Segmenta da madeira em expansão

Depois de chegar ao fundo do poço com o desencadeamento da Operação Currupira, que fez ampla varredura e desarticulou esquemas de fraudes na derrubada da floresta nativa, o setor madeireiro de Mato Grosso se organizou e caminha em ritmo acelerado rumo ao seu desenvolvimento. “As perspectivas são ótimas. O setor está organizado e dá passos consistentes para o seu crescimento. Vislumbramos o início de um novo ciclo madeireiro em nosso Estado”, anuncia o engenheiro florestal Júlio César Bachega, diretor executivo do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado (Cipem).

Segundo ele, a imagem negativa da exploração florestal deu lugar nos últimos anos a uma nova realidade em Mato Grosso. E o responsável por esta “virada de mesa”, na opinião de Bachega, foi a adoção do manejo florestal sustentável, que garante a perenidade das espécies por gerações e gerações.

De acordo com levantamento da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), os números da exploração florestal são inversos quando colocados numa comparação direta entre as atividades madeireiras e agropecuárias. Enquanto no período de 2006 a 2009 foram aprovados 388 projetos de exploração convencional para a pecuária e agricultura, nada menos que 974 planos de manejo florestal sustentável para o setor madeireiro foram aprovados pelos órgãos de controle ambiental.

“Isso denota a grande preocupação do setor madeireiro com a conservação da floresta nativa”, aponta o engenheiro florestal Bachega. Atualmente, ainda segundo dados da Sicme, são 1,684 mil
empreendimentos madeireiros manejando 2,6 milhões de hectares que estão sendo preservados com a estrutura e composição das espécies florestais em Mato Grosso.

Os municípios com o maior número de projetos de manejo em andamento no Estado são Juara (15,7%), Colniza (8,1%), Aripuanã (6,4%), Nova Maringá (5,8%), União do Sul (5,2%) e Nova Bandeirantes, 5,0%. As espécies mais exploradas são o cedrinho (15,01%), cambará (10,13%), amescla (5,82%), cupiúba (4,88%), angelim (3,99%) garapeira (3,84%) e, itaúba, 3,57%.


MODELO

Bachega diz que Mato Grosso hoje é um “modelo para o país e para o mundo” na questão da exploração sustentável da floresta amazônica. “Em nenhum lugar do mundo se faz uma exploração da forma tão transparente como a que estamos fazendo. O trabalho realizado em Mato Grosso está disponível na internet e a qualquer pessoa – em qualquer lugar do mundo – pode acompanhar e ver como estamos atuando”.

Ele diz que as autoridades mato-grossenses estão procurando divulgar as ações realizadas em Mato Grosso. “Precisamos mostrar à comunidade internacional que o que se faz aqui é algo inédito, um exemplo para o planeta”, diz, lembrando que Mato Grosso conta com uma área de 800 mil hectares passíveis de serem desmatadas, mas que estão sendo conservados sob projetos de manejo. “O setor de base florestal é extremamente contra o desmatamento, seja ele legal ou ilegal. E considera um absurdo que em algum lugar ainda se abata floresta para abertura de fronteiras agrícolas”, critica Bachega.

O Cipem também se preocupa em resgatar a imagem de Mato Grosso e uma das ações foi a participação em reuniões de Genebra e na Conferência de Copenhague. “O resultado de todo este esforço são os avanços que estamos alcançando nos últimos anos”, avalia Bachega.


NÚMEROS

Em 2009 o setor movimentou a economia de 33 municípios, gerando faturamento bruto de R$ 1,9 bilhão, além de contribuir para o superávit da balança comercial de Mato Grosso. As vendas de produtos de origem florestal ultrapassam R$ 1,70 bilhão, sendo 12,28% para exportações, 69,84% para outros estados brasileiros e o restante (17,88%) para o mercado doméstico.


Exploração planejada garante atividade
Na avaliação de técnicos e especialistas, o projeto de manejo florestal é atualmente a melhor alternativa à atividade, pois permite administrar a floresta para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema. “Essa modalidade de exploração possibilita reduzir os impactos ambientais e gerar benefícios diversos”, aponta Júlio César Bachega, diretor executivo do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem).

Segundo ele, a grande diferença do manejo florestal, em oposição à exploração convencional, é o planejamento e o emprego de técnicas apropriadas para colher cuidadosamente parte das árvores grandes, de tal maneira que as menores, a serem colhidas futuramente, sejam protegidas. “Com a adoção do manejo, a produção de madeira pode ser contínua ao longo dos anos”, lembra.

Conhecendo as espécies e tudo que há na floresta, avaliando as árvores já antigas – que diminuíram sua capacidade de seqüestrar carbono e estão prontas para serem cortadas, planejando as atividades dentro da floresta, com técnicas que não danificam as árvores remanescentes ou porta sementes, e respeitando o mecanismo ecológico e garantindo a funcionalidade da floresta, o setor de base florestal de Mato Grosso adotou o “Manejo Florestal Sustentável”.

O manejo envolve produção, rentabilidade,
segurança no trabalho, respeito à legislação, logística de mercado, conservação florestal e serviços ambientais (equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono). Para isso, o código florestal brasileiro de 1965 definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de plano de manejo.


OBRIGATÓRIO

Apesar de ainda ser praticada em pequena escala, o manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas. Embora a ação fiscalizadora tenha sido pouca efetiva até o momento, o processo de monitoramento está aumentando e a pretensão do Estado é intensificar a fiscalização das áreas verdes da região. Com a adoção dos planos de manejo, as empresas e produtores podem obter um certificado com "selo verde" cada vez mais exigido pelos grandes compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Leomárcio Xavier de Oliveira, coordenador de Recursos Florestais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), defende o manejo sustentável e destaca seus benefícios. “Primeiro porque ele é ambientalmente correto, depois por toda cultura de benefícios sociais, pois ele gera emprego. Se há manejo, vai ter um ciclo contínuo de empregos na região, porque se trabalha um talhão da área de cada vez”.

No manejo florestal sustentável, a área total a ser explorada é dividida em talhões e a cada ano uma nova área é trabalhada para garantir a preservação da floresta.


CONSERVAÇÃO

“A floresta, quando chega numa certa idade, para de seqüestrar carbono e com o manejo, ela começa a fluir novamente, deixando espaço para o crescimento de outras árvores. A floresta se renova, captando mais carbono e fazendo um bem imenso à natureza”, destaca César Mason, empresário do setor de base florestal.

Entraves ainda existem, mas há muita evolução no Estado
Assim como outros setores da economia, a indústria madeireira também apresenta gargalos que precisam ser equacionados para acelerar a expansão da atividade no Estado. Entre os entraves estão a falta de uma política de incentivo ao setor madeireiro, infraestrutura e logística.

“Outro gargalo é a questão da burocracia nos processos e trâmites ambientais pela insegurança técnica e jurídica”, pontua o diretor executivo do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado (Cipem), Júlio César Bachega.

Segundo ele, com um erro mínimo – como digitar a placa errada do veículo transportador – a documentação é considerada inválida e a carga é retida, gerando processo criminal e administrativo, além de multa aos compradores e vendedores. “Para esse processo se desembaraçar pode levar até 90 dias”.

Ele afirmou que apesar dessas dificuldades, a mudança da competência na concessão dos licenciamentos ambientais, do Ibama (federal) para a Sema (estadual), foi benéfica e propiciou a organização do setor. “De 2005 para cá, acabamos com essa diferença e começamos a resolver o problema de forma conjunta, entre o governo, os órgãos de controle e Ministério Público”.

Para se ter um projeto de manejo florestal, é preciso o licenciamento que é obtido após atendidas algumas exigências, como a legalização da situação fundiária da área com georreferenciamento certificado pelo Incra, licença ambiental nos percentuais definidos por lei (80% de reserva) e preservação das áreas ou termo de ajustamento de conduta para recuperação da área de preservação permanente degradada.

“Tecnicamente essas medidas dificultaram, mas o setor superou com organização e planejamento”, avalia Bachega, que aponta um controle maior da atividade. “A gestão permite mais transparência, pois o sistema é todo informatizado. Antigamente o controle da atividade pelo Ibama era de forma manual, deixando margens para irregularidades”.

O tempo para aprovação dos projetos também diminuiu, em média, de dois anos à época do Ibama, para quatro meses atualmente, com a Sema. “Apesar da burocracia que ainda existe hoje, a situação melhorou bastante e o setor tem boas perspectivas de crescimento.

 

 

 

 

 


Fonte: Pagina Rural

 
 
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